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O Museu Virtual Território Atingido nasce do compromisso de preservar e dar visibilidade às histórias, práticas culturais e modos de vida das comunidades impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Ele integra a lógica de um Museu do Território Sensível, modelo que reconhece que memórias, paisagens e relações sociais fazem parte de um acervo vivo, mesmo quando o território foi transformado.

Manter viva a memória não é apenas olhar para o passado. É garantir que histórias, saberes e vínculos que sustentam a vida comunitária permaneçam, mesmo diante das rupturas. O Museu Virtual Território Atingido é um espaço de encontro entre memória e continuidade construído com respeito, escuta e compromisso para que cada pessoa compreenda não só o que foi perdido, mas também aquilo que segue pulsando. Ao navegar por este museu, você se torna parte desse cuidado: cada história acessada, cada imagem observada e cada referência reconhecida contribui para manter vivas as experiências das comunidades e fortalecer seu processo de reparação. Este é um convite para caminhar conosco, aprender, reconhecer e valorizar territórios que seguem construindo seus futuros.

Celebrações

Festas populares, rituais e festividades comunitárias

Ofícios e modos de fazer

Bordados, quitandas, pesca e faiscação

Formas de expressão

Bandas de música, corais, danças, literatura, esportes e jogos

Lugares

Praças, cruzeiros, caminhos, lugares de encontro e paisagens

Edificações

Igrejas, casarios, vilas e distritos

em Destaque

Acervo de referências culturais

Um pouco de história

Minas Gerais é rica em cultura, onde paisagens, celebrações, saberes, fazeres e artes se cruzam em diferentes histórias de vida que formam a identidade de suas comunidades. Mas esta região, onde o tempo parece passar mais devagar, é, por outro lado, uma das mais pressionadas pelo processo de desenvolvimento industrial.

Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, mostrou essa contradição de forma nua e crua.

Uma grande onda de rejeitos atingiu o córrego Santarém, o rio Gualaxo do Norte, o rio do Carmo e o rio Doce. Localidades de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, que se encontram próximas desses cursos d’água, foram duramente impactadas. A lama ainda avançou por 670 quilômetros até a foz da bacia do rio Doce, no Espírito Santo, abalando tradições e modos de vida de centenas de milhares de pessoas.

Impactos

Entre 2018 e 2019, pesquisadores contratados pela Fundação Renova realizaram diagnósticos em 20 localidades destes quatro municípios. Junto aos moradores, 415 referências culturais foram identificadas e 323 consideradas impactadas. As comunidades propuseram centenas de ações de reparação para que elas continuassem existindo.

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Principais impactos socioculturais agravados pelo rompimento:

Aqui, a palavra-chave é salvaguarda

A reparação das referências culturais baseia-se no conceito de salvaguarda, um jeito de dizer “cuidar para não perder”. Trata-se de um esforço conjunto entre cidadãos, organizações e governos em torno de garantir que essas referências culturais sigam vivas e sustentáveis.

As responsabilidades são compartilhadas. 

As comunidades devem liderar esta caminhada, trazendo seu conhecimento para o centro das decisões. O poder público cuida de consolidar políticas que ofereçam suporte e estrutura, enquanto as organizações da sociedade civil fortalecem os grupos culturais e a iniciativa privada fomenta o financiamento de projetos e recursos.

Juntos, eles devem identificar, documentar, proteger, promover, transmitir e revitalizar as tradições e os costumes que fazem essas terras tão especiais.

Desde 2019, a reparação das referências culturais conta com a cooperação técnica da UNESCO, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura. Por meio do projeto “Construção da paz e do diálogo para o desenvolvimento sustentável das regiões atingidas pela barragem de Fundão”, diversas iniciativas conduzidas durante o período emergencial na área da cultura foram fortalecidas, como:

Realização de oficinas culturais e de educação patrimonial

Oferta de cursos livres de música

Retomada de celebrações religiosas e festas populares

Organização de atividades de lazer e esportivas

Apoio a times de futebol e a grupos culturais e religiosos

Registro documental e audiovisual de memórias e de práticas culturais

Supervisão da restauração de imóveis inventariados ou tombados

A memória é uma saudade que anda de mãos dadas com a esperança

Os caminhos que seguimos refletem quem fomos e o que queremos ser. Seja nos rios, nas estradas ou nas ruas de uma comunidade, passado, presente e futuro se encontram na cultura. Conheça o museu virtual Caminhos de Memória.