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Sabores de Barra Longa

Uma viagem de sabores pela história de quem vive Barra Longa

Em cada casa de Barra Longa existem aromas e sabores que contam histórias. É o café fresco passado no coador de pano, o pão de queijo saindo do forno, a quitanda feita para a visita inesperada, o feijão temperado com carinho que atravessa gerações. Mais do que ingredientes, são lembranças que se repetem à mesa e se transformam em herança viva de uma comunidade.

A culinária local não está apenas nos livros de receitas ou nas panelas e gamelas; ela pulsa na memória afetiva de cada família, nos encontros de vizinhança, nas festas de rua, nas prosas que se prolongam ao redor da mesa. É um bem imaterial que resiste ao tempo e também à tragédia que mudou o curso do rio e da vida. Mesmo nesse contexto, o sabor permanece como um fio invisível que costura e mantém unido o tecido social de Barra Longa.

Cada receita reunida aqui é mais do que um modo de preparo: é uma manifestação autêntica do ser, do saber e do viver em Barra Longa. São gestos simples, mas carregados de significado, que revelam a força de um povo que continua partilhando afetos, esperanças e tradições.

Cada leitor se sinta convidado a reviver suas próprias memórias de mesa, e a celebrar, junto com os moradores de Barra Longa, os sabores queguardam a essência de um lugar e de sua gente.

Receitas

Broa de rapadura
Bolo de Maracujá
Rosca de mandioca
Broa de Fubá
Cuscuz
Doce de Leite
Rapadura
Rosca Rainha
Tropeiro
GAzeta

Doce que lembra infância, sabor de raiz,
rapadura e amendoim, receita que faz feliz.
Na mesa mineira, o afeto é quem manda,
broa quentinha é carinho que não desanda.

“Aprendi a broa com uma amiga da minha sogra, que trouxe a receita da avó dela. Desde então, nunca mais deixei de fazer.” “Levei a broa pra feira, vendi tudo e o povo adorou. De lá pra cá, sempre faço — ela nunca dá errado.”

Aline Monteiro
  • 1 rapadura (500g)
  • 500g de amendoim cru
  • 2 copos americanos de óleo (aproximadamente)
  • 1 kg de fubá
  • ½ kg de farinha de trigo
  • 2 tampas de fermento químico (referência Royal)
  • 3 ovos
  • 4 copos americanos de leite
  1. Quebre e derreta a rapadura no leite até que a mistura fique homogênea. Espere esfriar.
  2. Torre o amendoim, triture e reserve.
  3. No liquidificador, bata a mistura de leite com rapadura, os ovos e o óleo por 1 minuto.
  4. Misture ao fubá e à farinha até a massa ficar homogênea.
  5. Adicione o fermento e mexa levemente.
  6. Asse em assadeira untada a 180 °C por cerca de 45 minutos.

Bolo de Maracujá

Por Daniele Nicomedes

Amarelo de sol, perfume no ar,
bolo de maracujá vem sempre alegrar.
Sabor leve, azedinho e doce,
um pedaço de esperança que nunca se esconde.

“Adaptei um bolo de laranja da internet: troquei pelo suco de maracujá, minha fruta preferida — deu super certo.” “É meu bolo de reunião: casa cheia, gente feliz — virou a peça-chefe da família.”

Daniele Nicomedes

Ingredientes (bolo):

  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina
  • 1 xícara (chá) de açúcar (rasa)
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 xícara (chá) de suco de maracujá natural concentrado
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

 

Ingredientes (calda):

  • Polpa de 1 maracujá com semente
  • ½ xícara (chá) de açúcar
  • ½ xícara (chá) de água
  • Bata ovos, manteiga e açúcar até a mistura clarear.
  • Adicione o suco e a farinha peneirada; misture por cerca de 3 minutos.
  • Acrescente o fermento e incorpore levemente.
  • Asse em forma untada a 180 °C por 35–40 minutos.
  • Para a calda, ferva polpa, açúcar e água até engrossar.

Rosca de Mandioca

Eva Nicomedes

Da mandioca brota sabor sem fim,
rosca macia, quitanda do jardim.
Receita guardada no tempo e na mão,
é doce lembrança que traz emoção.

“Ganhei de uma amiga muito especial — receita antiga dos avós dela.” “Hoje faço por encomenda: vai de Barra Longa pra BH, São Paulo, Rio e Bahia — era ‘secreta’, agora mais gente vai conhecer.”

Eva Nicomedes
  • 500 g de mandioca cozida e amassada
  • 1,5 kg de farinha de trigo
  • 8 ovos
  • 500 ml de leite
  • 1 colher (chá) de sal
  • 20 colheres de açúcar
  • 3 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de margarina
  • 3 pacotes de fermento biológico
  1. Misture farinha, fermento, açúcar e leite. Deixe dobrar de volume (~15 min).
  2. Bata ovos, açúcar e sal; junte a mandioca e bata até homogêneo.
  3. Misture manteiga e margarina.
  4. Una à massa e vá adicionando farinha até soltar das mãos.
  5. Sove por cerca de 15 minutos.
  6. Deixe descansar até dobrar.
  7. Modele as roscas, trance e pincele gema.
  8. Asse a 180 °C por cerca de 40 minutos.
    Rende aproximadamente 6 roscas.

Broa de fubá

Por Adelina Coelho

Quentinha no forno, perfuma o lugar,
broa de fubá com café pra acompanhar.
Sabor da roça, simples, mineirinha,
ao cair da tarde, é pura nostalgia.

“Essa receita eu aprendi com o meu pai. Foi um pai e mãe para mim.” “Hoje eu passo para vários amigos, sobrinhos e para minha filha. É uma receita muito antiga, muito gostosa.”

Aline Coelho
  • 4 copos americanos de farinha de trigo
  • 4 copos americanos de fubá mimoso
  • 4 copos americanos de açúcar
  • 1½ copo americano de óleo
  • 1½ colher (sopa) de fermento em pó
  • Cerca de 8 copos americanos de leite (ou coalhada)
  1. Misture os ingredientes secos.
  2. Acrescente o óleo e o leite aos poucos até formar massa cremosa.
  3. Aromatize com erva-doce, cravo ou canela, se desejar.
  4. Asse até dourar.

Cuscuz

Por Geralda das Graças

De fubá e rapadura, cheiro no quintal,
cuscuz é memória de sabor sem igual.
Mistura simples que aquece o coração,
na palma da mão, herança da tradição.

“Hoje vou ensinar para vocês o cuscuz que minha mãe me ensinou. Faço até hoje.” “O pessoal adora e vive encomendando — é cuscuz de família, doce e pedido.”

Geralda das Graças
  • 1,5 kg de fubá
  • ½ rapadura (250 g)
  • ½ queijo minas
  • 2 conchas de gordura (banha ou óleo)
  • 1 pitada de sal
  • Água morna para umedecer
  1. Misture o fubá com a rapadura ralada.
  2. Acrescente a gordura e o sal.
  3. Adicione água morna aos poucos até umedecer.
  4. Misture o queijo.
  5. Cozinhe no vapor por cerca de 40 minutos.

Doce de Leite com Folhas de Laranjeira

Por Janderson Machado

Folha verde dança no galho da laranjeira,
cai no tacho doce só pra temperar.
Na colher, cremosa, uma tradição mineira,
doce de leite é a magia do paladar.

“Essa receita é da época da minha avó. Meu pai faz também e a gente vai passando de geração em geração.” “Faço cremoso no fogão a lenha — é o sabor da roça que eu mais gosto.”

Janderson Machado
  • 6 litros de leite fresco
  • 1,1 kg de açúcar cristal
  • 10 folhas de laranjeira bem lavadas
  1. Leve leite e açúcar ao fogo em panela grossa, mexendo sempre.
  2. Acrescente as folhas de laranjeira quando ferver.
  3. Continue mexendo até engrossar.
  4. Retire as folhas e sirva no ponto desejado.

Rapadura Tradicional

Por José Francisco “Machadinho”

Da cana moída no velho moinho,
escorre o doce num fio cristalino.
Na palma da mão, lembrança que dura,
infância guardada em forma de rapadura.

“Aprendi no engenho com meu pai e segui tocando depois que ele se foi.” “Mantenho a tradição da rapadura — faço por encomenda e não deixo essa cultura acabar.”

Machadinho
  • Cana-de-açúcar
  • Gordura de porco
  1. Moa a cana e ferva a garapa em tacho de cobre.
  2. Retire a espuma com escumadeira.
  3. Acrescente gordura para não queimar.
  4. Cozinhe até ponto de bala firme.
  5. Bata até cristalizar e despeje em formas de madeira.
  6. Deixe esfriar e corte.

Rosca Rainha

Por Gilda Cardoso

Rainha da mesa, coroa de afeto,
coco e doçura no que sempre dá certo.
Receita que encanta e perfuma a cozinha,
alegra o vovô, o papai e a netinha.

“Aprendi na fazenda onde trabalhei por 20 anos — de lá saiu a minha Rosca Rainha.” “Vende o ano inteiro e a família ama — já fiz até 15 por semana.”

Gilda Cardoso
  • ½ litro de leite morno
  • 500 g de manteiga sem sal
  • 150 g de fermento biológico fresco
  • 6 gemas
  • 5 colheres (sopa) de açúcar
  • 3 latas de leite condensado
  • 3 kg de farinha de trigo
  • 500 g de coco ralado
  • 1 colher (café) de sal
  1. Misture leite, gemas, açúcar, sal, manteiga e fermento.
  2. Acrescente farinha peneirada até formar massa lisa.
  3. Deixe descansar 20 minutos.
  4. Abra, espalhe manteiga, leite condensado e coco.
  5. Enrole e corte em fatias.
  6. Deixe crescer e asse a 180 °C por cerca de 30 minutos.

Tropeiro

Por Liviane Martins

No fogo da cozinha começa a canção,
tropeiro é fartura, é festa no chão.
Torresmo estalando, sorriso no ar,
quem prova esse prato só quer celebrar.

Entre a curiosidade e o trabalho em restaurante, comecei nas marmitas — o tropeiro ficou.” “É o campeão de pedidos: faço e não sobra.”

Liviane Martins
  • 150 g de bacon em cubos
  • 250 g de linguiça calabresa
  • ½ xícara de gordura de porco
  • 500 g de feijão vermelho cozido
  • 1 maço de couve
  • Cebolinha a gosto
  • Alho e sal
  • 8 ovos fritos
  • 5 ovos cozidos e picados
  • 2 xícaras de farinha de mandioca torrada
  • Torresmo a gosto
  1. Frite bacon e calabresa até dourar.
  2. Refogue o feijão e misture as carnes.
  3. Acrescente ovos mexidos e farinha.
  4. Misture couve e ovos cozidos picados.
  5. Finalize com torresmo.

Biscoito Gazeta

Por Maria Aparecida Costa

Da antiga padaria veio a tradição,
Gazeta quentinha, doçura e paixão.
Com queijo e café, a conversa é animada.
É a história de Barra Longa contada e recontada.

"A Gazeta era feita na padaria da tia do meu marido — um biscoito de rapadura que é histórico aqui na cidade. As pessoas adoram, porque além de saborosa, é feita de rapadura. É diferente, é da nossa história."

Liviane Martins
  • 1 rapadura (ralada ou picada)
  • Água (o suficiente para derreter a rapadura)
  • 1 copo americano de leite
  • 3 ovos
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio
  • 1 colher e meia de sopa de fermento químico (Pó Royal)
  • Farinha de trigo (até dar o ponto) (Opcional para servir: queijo e café)
  1. Faça o melado. Quebre a rapadura, cubra com água suficiente para derreter e leve ao fogo até ferver.
  2. Quando levantar o melado com a concha e o pingo cair mais devagar, o ponto chegou. É o “ponto espelho”.
  3. Vire o melado quente em um recipiente. Ele seguirá fervendo; não mexa muito (se misturar demais “vira água”). Mexa só um pouco e deixe esfriar por ~5 minutos.
  4. Com o melado morno, junte o leite e a manteiga.
  5. Acrescente o bicarbonato e o fermento em pó. Misture rapidamente, sem bater demais.
  6. Coloque os ovos, misturando apenas até incorporar.
  7. Dê o ponto com a farinha. Vá acrescentando farinha de trigo até obter massa de amassar e enrolar.
  8. Amasse e enrole os biscoitos rápido, porque a massa resseca se ficar parada.
  9. Leve ao forno até dourar.

Cada prato carrega histórias, afetos e memórias que, ao serem partilhados, mantêm viva a tradição da comunidade.

O convite agora é para você: experimente cada uma delas em sua casa, leve esses sabores para a sua mesa e ajude a dar continuidade a essa herança.
Que cada receita preparada seja também um gesto de celebração à vida, à resistência e à força de um povo que segue cozinhando futuro com o que tem de mais precioso — sua cultura.

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