A partir de um processo de diálogo e de construção participativa, foi criada e apresentada às comunidades atingidas de Mariana, no último dia 13 de dezembro (sábado), no território de origem de Bento Rodrigues, a estratégia do Museu do Território Atingido: do Gualaxo ao Doce (MTA).
O encontro, conduzido pela UNESCO em parceria com a Prefeitura de Mariana, formalizou a entrega da estratégia de criação de um Centro de Memória Físico, previsto no Acordo de Repactuação da Reparação do Rompimento da Barragem de Fundão, e a assinatura de um protocolo entre representantes de grupos das comunidades, poder público e outras instituições envolvidas.
No lugar de um museu padronizado em um só edifício, a estratégia do MTA é viva e abrange múltiplos territórios, valorizando o protagonismo de pessoas e grupos culturais atingidos na reparação e na preservação de suas memórias e na valorização e difusão de suas manifestações culturais. Nesse formato, o museu ganha um modelo-piloto que se materializa nas seguintes frentes:
5 Pontos de Memória comunitários e percursos de memória
Grupos culturais de Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado participaram de oficinas para desenvolver coletivamente projetos expográficos para Pontos de Memória identificados nos territórios. As oficinas estruturaram diretrizes conceituais e metodológicas, assegurando a integração das referências culturais locais, a representatividade comunitária e a adequação aos princípios da museologia social e de um museu de território sensível.
Cinco projetos foram desenvolvidos, além de dois percursos memoriais por pontos nos quilombos de Gesteira e Volta da Capela:
- Ponto de Memória da Banda Nossa Senhora do Carmo (Barra Longa)
- Ponto de Memória do Quilombo Ribeirinho de Volta da Capela e percurso memorial (Barra Longa)
- Ponto de Memória do Quilombo de Gesteira e percurso memorial (Barra Longa)
- Ponto de Memória da Pesca na Asperdoce (Rio Doce)
- Ponto de Memória Homem-Natureza, em Novo Soberbo (Santa Cruz do Escalvado)
2 Memoriais e percursos temáticos em mariana
Assim como nos outros municípios, oficinas foram conduzidas no Novo Bento Rodrigues e em Paracatu para discutir referências culturais, lugares, modos de vida, acervos e expectativas sobre os Centros de Memória físicos.
Elas revelaram debates e tensionamentos relevantes, como a forma de gestão dos territórios memorializados e a necessidade de infraestrutura adequada para acolhimento de visitantes e atividades educativas, bem como de preservar histórias que antecedem o rompimento da barragem.
Durante a apresentação da estratégia, os participantes realizaram um protótipo de percurso guiado por Bento Rodrigues, caminhando por pontos simbólicos como as ruínas da Capela de São Bento, cujo projeto de reconstituição também foi coelaborado com a comunidade, conforme as imagem abaixo:
museu virtual
A proposta de Museu do Território Atingido previu também uma versão digital, o Museu Virtual do Território Atingido, consolidando o acervo de exposições, produtos editoriais e audiovisuais produzido desde 2019 ao longo da cooperação técnica da UNESCO com a Fundação Renova e a Reparação Bacia do Rio Doce, além de futuras produções.
O MTA e o MVTA formarão um ecossistema físico-digital que integrará recursos para promover narrativas e vivências locais e o desenvolvimento sociocultural das comunidades ao longo dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce. Conheça a estratégia completa no link abaixo:






