A proposta de intervenção para o espaço que receberá o Ponto de Memória da Associação de Pescadores de Santa Cruz do Escalvado organiza-se em dois sistemas principais, ambos implantados em uma ampla área aberta: a construção de um palco e a criação de um percurso expográfico ao longo das calçadas laterais
– PALCO: O palco foi concebido a partir da leitura do lugar e das estratégias já adotadas pela comunidade, funcionando como um complemento às estruturas existentes e integrando-se harmonicamente ao conjunto por meio da volumetria, das materialidades e da forma de implantação no espaço.
Destinado a abrigar atividades já realizadas pela associação, o palco também ampliará as possibilidades de uso do espaço com a implementação do MTA. A base elevada em madeira, acessada lateralmente por degraus, recebe uma cobertura de telhas cerâmicas. Toda a estrutura proposta será executada em eucalipto tratado, criando um desenho arquitetônico que dialoga com o entorno natural e com o caráter aberto do local. Ao fundo, o palco contempla uma tela de projeção retrátil, expandindo as funções educativas e culturais do equipamento.
– PERCURSO EXPOGRÁFICO: À esquerda do palco, aproveitando a calçada arborizada, propõe-se um percurso expográfico que apresenta as histórias, memórias e relações da comunidade com o território e com a natureza. Toda a lógica de organização dos conteúdos resulta das visitas de reconhecimento, das oficinas realizadas com a associação e das diversas conversas de alinhamento ao longo do processo. As narrativas compartilhadas e os projetos desenvolvidos pela comunidade serviram como base para a definição dos temas e das estratégias expográficas.
O alargamento da calçada segue os desenhos das curvas do Rio Doce, conferindo caráter lúdico, sensível e educativo ao trajeto. A partir do desenho, foram criadas pequenas clareiras sob as árvores, que funcionam como pontos de parada, encontro e interação com os recursos expográficos. Ao longo do percurso, elementos de sinalização e mobiliários interativos apresentam os conteúdos, complementados por módulos itinerantes que podem ser montados no palco em dias de oficinas ou atividades especiais.
Os conteúdos abordam: a história da associação; as relações territoriais e os marcos da paisagem; os animais encontrados na região; os saberes tradicionais, costumes e práticas associadas ao ambiente natural; e a apresentação dos conceitos do Museu de Território.
A proposta inclui também a exposição de peças significativas para a comunidade, como carro de boi, canoa e jiqui, podendo, inclusive, incorporar objetos produzidos em oficinas realizadas em atividades do MTA. Tanto o palco quanto as calçadas laterais tornam-se espaços para expor esses acervos, compondo um cenário interpretativo carregado de histórias, significados e vínculos com o território.



