A proposta de intervenção para o espaço que receberá o Ponto de Memória da Associação de Pescadores de Rio Doce organiza-se em duas vertentes: a pavimentação e ocupação de um espaço externo por meio de mobiliários itinerantes e a intervenção arquitetônica na estrutura existente.
– EXPOSIÇÃO ITINERANTE: A principal intervenção espacial proposta consiste na pavimentação de uma área aberta, localizada próxima a um dos tanques de peixe, logo na entrada do espaço. A intenção é ampliar as possibilidades de ocupação e permitir a realização das atividades promovidas pela associação. Esse local recebe uma pintura de piso que conforma o desenho do rio e pode ser equipado com barracas personalizadas e desmontáveis, possibilitando sua utilização em diferentes contextos, como o Peixe com Prosa e outras ações itinerantes da APESC.
Seguindo a mesma lógica de flexibilidade, os mobiliários expográficos também são modulares e desmontáveis, permitindo que a exposição seja reorganizada ou transferida para outros espaços. O percurso expositivo inicia com o módulo do Museu do Território Atingido (MTA), apresentando seus conceitos, abrangência territorial e a relação da APESC com o museu. Em seguida, as atividades já desenvolvidas pela associação são exibidas em biombos e mesas dobráveis. Aproveitando o material das barracas, conteúdos como mapas, modos de fazer e narrativas sobre saberes tradicionais podem ser impressos e integrados às estruturas, compondo o fundo expositivo e exercendo também uma função educativa.
Os cubos de madeira recebem grafismos, ilustrações e frases de pescadores, enquanto o mapa dobrável apresenta um diagrama dos ambientes do rio, como rebojo, remanso, corredeira e conteúdos como as fases da lua e outras características relevantes para o universo da pesca. Diversos objetos de pesca são expostos nos biombos e mesas, enriquecendo a ambientação e introduzindo os visitantes ao universo simbólico e prático da pesca artesanal. Além disso, uma caixa de fichas reúne informações sobre espécies nativas e exóticas do Rio Doce, apresentando curiosidades e detalhes de cada uma.
Na lateral do espaço, junto ao guarda-corpo de madeira proposto, organizam-se outros recursos expositivos. O módulo “gira-gira” de três faces apresenta peixes associados a receitas e curiosidades. Elementos de identificação das espécies presentes nos tanques também são instalados, oferecendo informações específicas sobre cada peixe. Nos guarda-corpos, módulos com transparências sobrepõem fotografias de momentos coletivos dos pescadores, criando uma leitura sensível da paisagem. Ao fundo, réguas em escala real permitem que os visitantes comparem o tamanho das espécies de peixes representadas.
Por fim, na última barraca, um espaço é reservado para mesas e cadeiras, pensado para receber confraternizações, dinâmicas de grupo e outras atividades promovidas pela associação.



