O Ponto de Memória do Quilombo de Gesteira ocupa a antiga escola localizada na parte alta da comunidade, edifício hoje amplamente utilizado nas diversas atividades coletivas. A proposta expográfica para o Ponto de Memória organiza o ambiente em duas áreas: uma área principal dedicada à exposição e uma área menor, ao fundo, destinada ao apoio das atividades cotidianas. A ocupação foi pensada de forma perimetral, utilizando as bordas da sala e preservando a área central livre, de modo a não interferir nas dinâmicas cotidianas que ali acontecem.
A visitação se inicia pela porta mais próxima da entrada da escola, onde se encontra o texto de abertura. Em seguida, o módulo do Museu do Território Atingido apresenta o conceito do Museu de Território, sua abrangência e características, além de contextualizar a comunidade de Gesteira e sua relação com o MTA. Na sequência, um painel de parede – composto com uma arte desenvolvida pelas mulheres do quilombo – ilustra os impactos do rompimento na vida e cotidiano da comunidade e na paisagem. Logo adiante, uma linha do tempo apresenta a trajetória de Gesteira, seus marcos históricos e temporais, remontando à época da Fazenda João Gesteira até os dias de hoje.
Mais à frente, parte do acervo comunitário poderá ser exposta em módulos que permitem pendurar objetos ou elevá-los do chão por meio de bases modulares iluminadas. Essas bases podem ser reorganizadas conforme a dinâmica expositiva, criando diferentes composições. O conjunto inclui ainda uma prateleira aberta para a organização de itens como ervas medicinais, brinquedos antigos, objetos do cotidiano e outros elementos escolhidos pela própria comunidade. Em seguida, cubos de madeira contam histórias por meio de um jogo da memória que reúne lembranças, narrativas e relatos de vida. Concluindo o primeiro lado da sala, três módulos foram reunidos para apresentar a história de luta da comunidade, destacando especialmente a força e a presença das mulheres desde o tempo da “Sá Chiquinha”. Ao fundo, um painel em tecido permite a projeção de vídeos, apresentações, documentários e outros conteúdos audiovisuais.
No lado oposto da sala, cinco módulos reúnem conteúdos sobre o território e suas histórias, apresentando fotografias, relatos e o tecido pintado pelas mulheres do quilombo, que destaca lugares fundamentais para a memória da comunidade. Finalizando o percurso, entre as duas portas, outros seis módulos tratam da importância do reconhecimento quilombola e servem também como suporte para o uso cotidiano, permitindo que a comunidade pendure e apoie objetos como peneiras, tecidos, estandartes, entre outros. O espaço de apoio conta com prateleiras que podem ser usadas para organizar materiais para oficinas, equipamentos, objetos complementares à exposição, recursos interativos e trabalhos feitos em outras atividades.



